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Alina: A história extraordinária da sidrolandense mais antiga!

Alina Antunez dos Santos, nasceu em 09/08/1940, na cidade de Bella Vista do Norte no Paraguai, atualmente ela está com 82 anos, é mãe de oito filhos, tem dezessete netos e quatorze bisnetos. Mas a história dela não começa aí.

Um ano após seu nascimento, quando a Segunda Guerra Mundial estava em alta, seu pai um homem honrado, com bravura e elegância, se alistou para o combate. Sua mãe depois que Alina cresceu chegou a contar a ela que ele um dia chegou com o coração apertado, mas com uma bravura tremenda e disse para ela e para a família que estava indo ser um combatente, mas que um dia retornaria para casa, porém, infelizmente esse dia nunca chegou. E ninguém nunca soube se ele faleceu na guerra ou dois dias depois de sair de casa.

Depois de alguns anos a mãe de Alina se casou com um fazendeiro ali da cidade, mas ao invés das coisas melhorarem para ela, só pioraram de certa forma. A vida dela era servir, ser serviçal do padrasto e dos filhos dele, ela carregava bacias grandes de água por quilômetros para levar água fresca para eles, e se tivesse quente, essa água era jogada no chão e ela tinha que voltar para pegar uma nova, a menina também acordava às 2h da manhã para buscar carne, porque na época era racionado e não havia geladeira.

Alina relevou tudo isso por sua mãe, Maria Antunez que era parteira e costureira da região. Um episódio que marcou a vida dela, foi em datas comemorativas o padrasto dava presente apenas para os filhos dele e ela não ganhava nada. Mas isso não a deixou desanimar e nem desistir de seus sonhos.

Ela estudou até o quarto ano, era muito querida e amada pelas suas amigas do colégio de freira, quando ela fez quinze anos pediram para fazer uma festa para ela, mas sua mãe acabou não deixando, então, suas amigas organizaram uma pequena comemoração para Alina, isso ficou marcado na memória dela até hoje.

Outra lembrança gostosa dela foi no aniversário da padroeira da cidade do Paraguai, Virgem de Caacupé, onde jogaram pétalas de rosa de um avião.

Vinda para o Brasil

Em 1959, quando ela tinha 19 anos, um primo distante de Alina que era chefe de uma comitiva em uma fazenda localizada em Sidrolândia, estava preste a ter seu primeiro bebê com sua esposa. Ele iria levar uma boiada para o Pantanal e precisava de alguém para ficar com a sua mulher, nisso ele foi até Bella Vista do Norte, e Alina viu uma oportunidade única para ir embora dali.

Com a chegada de seu primo ela falou com a sua mãe para vir até o Brasil, no início a mãe dela não queria deixar de jeito nenhum, porque ela não sabia falar português, mas acabou sendo convencida pela filha. Alina disse que ficaria aqui por três meses, mas acabou se apaixonando pelo país.

Eles vieram de trem e pararam em Sidrolândia, ali em frente a praça central tinha um restaurante de uma família paraguaia, ao entrar e ser recebida com tanto amor e calor, Alina se sentiu tão bem que naquele momento percebeu que não voltaria tão cedo para casa.

No restaurante a dona percebeu que ela só falava guarani e começou a falar com ela, disse que se ela precisasse sua pensão estaria de portas abertas para ela.

Na semana seguinte de sua chegada seu primo Faustino saiu para levar a boiada até o Pantanal, pois naquela época não tinha caminhão de boi para fazer esse transporte e iam os peões acompanhando o gado até o local.

Naquela mesma semana a esposa de Faustino começou a dar sinais de que o bebê estava para vir ao mundo. Certa noite, por volta das 2h da manhã, Araci chamou Alina falando que estava sentindo as dores do parto e que era para ela ir até a sede da fazenda chamar pelo médico.

Alina selou o cavalo pensando em como iria falar isso, porque não sabia falar português, ela partiu em galopada pela fazenda em busca de ajuda mesmo correndo risco de ser recebida a bala pelo horário, partiu com bravura e com o coração quase saindo do peito.

De madrugada galopando pela fazenda, Alina parte rumo a sede para tentar encontrar ajuda, sentindo o vento frio batendo no rosto. Ela bate na porta, ninguém atende, bate de novo, é recebida, tenta falar, mas não consegue muito, então ela relata que o bebê está nascendo.

“Bebê, fazenda, bebê”, ela fala desesperada e aponta para a barriga e para a casa. Nisso, o pessoal que a atendeu a recionhecem e dizem é a Paraguai e partem com ela para ajudar.

Ela conseguiu pedir ajuda, mas infelizmente o bebê nasceu morto. O médico terminou os procedimentos do parto e pediu para Alina dar banho no bebê e enterrar no outro dia.

Ela com o coração partido em tristeza, colocou o bebê em uma caixinha de sapato e esperou até o outro dia para enterrar.

Casamento

Para apresentação na sociedade, antigamente eram feitos bailes, o que é chamado de festa atualmente. Em um desses eventos, Alina conheceu uma família muito carinhosa e acolhedora e acabou se apegando a eles, mas mal sabia ela que a partir daquele momento sua vida iria mudar.

Com o passar do tempo, Alina conheceu um dos filhos daquela família, o Lazaro, um homem elegante, bonito, charmoso e amoroso, foi amor a primeira vista para ambos.

Esse amor foi crescendo e ambos decidiram noivar, mas antes Alina queria voltar ao Paraguai para que seu noivo pedisse sua mão para sua mãe, e assim foi feito, sua mãe abençoou a união e eles voltaram para Sidrolândia.

Antes da sua vinda uma amiga de infância de Alina, disse com lágrimas nos olhos e com o coração cheio de amor que iria vir para o casamento dela.

Alina lembra que olhou para trás e sua amiga estava acenando com um sorriso largo no rosto para ela.Com essa memória doce de sua melhor amiga, eles retornaram.

A felicidade era uma marca registrada do casal. Eles se casaram na antiga igreja Nossa Senhora da Abadia e dessa linda união vieram seus oito filhos queridos.

Eles continuaram morando na fazenda do seu “Uru”, mas depois de um tempo eles compraram uma chácara na cidade e se mudaram, era uma das antigas terras do seu Sidrônio.

O pai das crianças sempre zelou pela educação dos seus filhos e a mudança para a cidade iria facilitar isso para eles.

Mudança

No ano de 1980, eles se mudaram para Bonito, pois o Lazaro iria ser capataz em uma fazenda ali do município. Eles foram, porém ficaram dois filhos que estavam estudando e queriam continuar. Ficou a filha mais velha e o filho do meio, o Joel, que ficaram morando na casa da sua avó paterna.

Alina, Lazaro e seus filhos

Eles estavam vivendo felizes ali, até o dia 10 de outubro.

Era um dia chuvoso na fazenda, eles já tinham levantado, arrumado as coisas e tomado café da manhã, Alina falou para Lazaro não ir trabalhar naquele dia devido a chuva forte, mas ele apenas disse que um pai deveria dar exemplo para os filhos, deu um beijo nela e saiu.

Momentos depois Alina escutou um estralo, seguido de uma forte luz na fazenda, ela olhou para fora, e se perguntou onde aquele raio poderia ter caído, já com o coração apertado.

Horas depois, seu marido ainda não havia retornado, ela foi atrás e viu ele ali no chão com seu cavalo, a água estava quase submergindo seu corpo.

Ela falou para ele levantar dali, cheia de fé e esperança, mas quando tocou nele, ela se deu conta que ele estava morto.

“Lazaro, levanta daí, a aguá”, disse Alina.

Naquele momento ela pegou ele, tirou o cinto e as botas dele e o levou até a casa, conversou com seus filhos e disse para arrumarem as malas, pois tinha acontecido algo não muito bom com seus filhos.

Alina se fez de forte, quando seu mundo estava desmoronando.

Eles voltaram de caminhão para casa e seus filhos tiveram que vir com o pai já falecido na caçamba do caminhão. Ela relembra que aquilo foi uma das cenas mais tristes na vida dela, pois não podia fazer nada.

Ela sempre foi uma mulher de fé se manteve de pé por seus filhos.

Ao chegar em Sidrolândia, ela acordou seu filho Joel com carinho e disse a ele o que havia acontecido. Ele lembra até hoje que naquele momento seu mundo caiu.

A memória que ele tem de seu pai é de amor, seu pai sempre foi muito amoroso com seus filhos e o pouco tempo que teve com eles foi extraordinário.

“Uma palavra para definir meu pai é amor e a que define a minha mãe é a fé”, disse Joel.

O amor é o que reina nessa família.

Adaptação

Com o passar dos dias ela foi percebendo que seu marido não iria mais voltar e teve que tomar a decisão de tirar forças além daquelas que ela já tinha para criar seus oito filhos.

Sozinha e incansável, Alina fez da sua chácara uma fonte de renda, sempre produzindo mandioca, leite, galinha e vendendo.

Da mandioca ela fazia farinha, da farinha um bolo e de um bolo ela fazia um banquete para seus filhos.

Joel, seu filho do meio, relembra que vendia leite com ela na rua, ele na bicicleta e ela a pé, eles vendiam cerca de 50 litros de leite, nisso as pessoas tiravam sarro, mas sua mãe nunca abaixou a cabeça.

Ele ainda comenta que sua mãe nunca deixou faltar nada pra eles e que suas roupas sempre eram engomadas, ela passava bacias de roupa a ferro de brasa para eles irem a missa ou ficarem arrumados no domingo.

Joel e sua mãe

“Minha mãe sempre foi guerreira, ela é uma mulher de fé, ela é meu tudo”, desabafa Joel.

Alina sempre foi um exemplo de mulher, para a descrever não teria adjetivos cabíveis. Ela nunca mais casou, mas isso não a impediu de ser feliz e dar o melhor para seus filhos.

Muitos anos se passaram, com muitas lutas, choros e alegrias, mas Alina nunca demonstrou fraqueza. No aniversário de 70 anos de Alina, o seu filho Joel realizou um grande sonho dela, que era ela conhecer o a Delinha.

Ele a trouxe para cantar nessa festa e ela gostou tanto da família que cantou até o amanhecer.

Ela passou a vida toda se dedicando a família e agora sua família se dedica a ela, cuidando com amor, carinho e dedicação. Seus filhos são frutos da sua força.

Alina, é uma das sidrolandenses mais antigas da cidade e carrega consigo toda fé e esperança de uma mãe lutadora.

“Tudo que fores fazer, coloque Deus na frente e vá a luta”, disse a Paraguaia.

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3 Comments

  • Katia Arakaki Nagasawa

    Minha tia amada!! Não de sangue mas de coração ❤️ minhas melhores lembranças de infância e religiosidade são vindas dessa família abençoada ? amo de todo coração e não há adjetivos para descrever a pessoa maravilhosa que é tia Alina !!

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