Santa casa de campo grande é aprovada como centro de pesquisa da USP no tratamento do tumor cerebral chamado craniofaringioma.

Em abril de 2022, duas crianças acompanhadas na Santa Casa de Campo Grande foram submetidas a um procedimento neurocirúrgico para o tratamento do tumor cerebral chamado craniofaringioma. A técnica inovadora seguiu o protocolo de tratamento da Universidade de São Paulo (USP) e só foi possível acontecer, após a aprovação do hospital como Centro de Pesquisa associado e que atuou como co-participante no projeto.

O craniofaringioma é um tumor cerebral que acomete principalmente crianças. É uma lesão benigna, porém que apresenta um comportamento maligno por infiltrar as estruturas cerebrais nobres e causar sequelas graves. O tratamento mais comum consiste em cirurgia seguida de radioterapia, em que complicações, como alterações hormonais graves, cegueira e obesidade são frequentes. E dentre todos os tumores cerebrais da infância, este é o que apresenta maior impacto na qualidade de vida dos pequenos.

Em casos específicos, como os das duas crianças operadas no hospital, uma de 9 e outra de 10 anos, a cirurgia para ressecção deste tumor nem sempre é possível, mas foi o que levou a execução do estudo, conforme explicou a neurocirurgiã pediátrica da Santa Casa, dra. Mariana Mazzuia Guimarães. “O cisto é frequentemente aderido aos vasos e nervos e a cirurgia pode trazer mais riscos que benefícios. E, por isso, iniciamos essa proposta de fazer o tratamento menos agressivo, com o intuito de atrasar a evolução da doença, fornecendo condições para que essas crianças cresçam e se desenvolvam o mais próximo da normalidade possível, ”, disse a neurocirurgiã.

A avaliação, o acompanhamento e o tratamento desses casos foram desenvolvidos pela dra. Mariana Mazzuia Guimarães, também pesquisadora da pós-graduação (doutorado) da USP, sob orientação do Prof. dr. Hamilton Matushita, chefe do departamento de neurocirurgia pediátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a unidade responsável pela coordenação do projeto e que creditou à Santa Casa a titulação de coparticipação no estudo.

De acordo com a pesquisa que serviu de referência no hospital, é constatado o aumento de uma substância pró-inflamatória chamada Interleucina-6 no tumor. Sendo assim, foi proposto o tratamento por meio da infusão de um medicamento chamado Tocilizumabe (anticorpo monoclonal), que age combatendo a manifestação da interleucina-6, o que consiste em uma terapia-alvo direcionada.

“Foi pensando em diminuir os possíveis riscos que iniciamos este projeto de trabalho que é pioneiro na área. Dado o aumento de interleucina-6, vimos que com a medicação aplicada dentro do tumor, ela pode agir como antagonista. É como se fosse um tratamento direcionado para este tumor nos casos sem possibilidade cirúrgica. Colocamos o cateter para fazer a quimioterapia dentro do tumor e depois injetamos a medicação, ”, destacou a dra. Mariana Mazzuia.

Como parte do desdobramento do projeto, esses pacientes serão acompanhados no Ambulatório da Santa Casa por dois anos, para que os exames de imagem e consultas atestem a evolução favorável de ambos os casos. É preciso destacar que o primeiro paciente da época vem evoluindo dentro das expectativas esperadas. O segundo, teve que reposicionar o cateter, mas está sem alterações endocrinológicas, hormonais ou visuais. Um exemplo de que o projeto no hospital tem tido bons resultados, assim como o projeto principal de estudo realizado na Universidade de São Paulo.

Por ASCOM Santa Casa de Campo Grande – 20/9/2022

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